momentos literários
Quarta-feira, Junho 18, 2008
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" Deixe a raiva secar "
Mariana ficou toda feliz porque ganhou, de presente, um joguinho de
chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas.
No dia seguinte, Júlia, sua amiguinha, veio bem cedo convidá-la para
brincar.
Mariana não podia, porque ia sair com sua mãe naquela manhã.
Júlia, então, pediu à coleguinha que lhe emprestasse o seu
conjuntinho de chá para que ela pudesse brincar sozinha na garagem do
prédio.
Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência da amiga,
resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo o seu ciúme por aquele
brinquedo tão especial.
Ao regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu
conjuntinho de chá jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a
bandejinha estava toda quebrada.
Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou:
- Está vendo, mamãe, o que a Júlia fez comigo? Emprestei o meu brinquedo,
ela estragou tudo e ainda deixou jogado no chão.
Totalmente descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao
apartamento de Júlia pedir explicações. Mas a mamãe, com muito carinho, ponderou:
- Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu sapatinho novo todo
branquinho e um carro, passando, jogou lama em seu sapato? Ao chegar à sua
casa você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou.
Você lembra do que a vovó falou?
- Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro. Depois ficava mais
fácil limpar.
- Pois é, minha filha! Com a raiva é a mesma coisa. Deixa a raiva secar primeiro.
Depois fica bem mais fácil resolver tudo.
Mariana não entendeu muito bem, mas resolveu ir à sala ver televisão.
Logo depois alguém tocou a campainha. Era Júlia, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi
falando:
- Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da
gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Aí ele ficou bravo
e estragou o brinquedo que você havia me emprestado. Quando eu contei para
a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro brinquedo igualzinho
para você. Espero que você não fique com raiva de mim. Não foi minha culpa.
- Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já secou.
E, tomando a sua coleguinha pela mão, levou-a para o quarto para contar a
história do sapato novo que havia sujado de barro.
Linda história...
Segure seus ímpetos, deixe o barro secar para depois limpá-lo....
Assim, você não correrá o risco de cometer uma injustiça.
Pense nisso . . .
postado por: LUCIANA MACEDO 12:34 PM
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Quinta-feira, Maio 08, 2008
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Por mais conhecido que seja, sempre é bom relê-lo e pensar um pouco.
Depois de algum tempo você aprende a diferença,
a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos
e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida
e olhos adiante, com a graça de um adulto
e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima
se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando
e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança
e apenas segundos para destruí-la,
e que você pode fazer coisas em um instante,
das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
se compreendemos que os amigos mudam,
percebe que seu melhor amigo
e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que devemos deixar as pessoas que amamos com
palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes
tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo
para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou,
mas onde está indo, mas se você não
sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos
ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco
ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada
e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas
que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes
a pessoa que você espera que o chute,
quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver
com os tipos de experiências que se
teve, e o que você aprendeu com elas,
do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer
a uma criança que sonhos são bobagens,
poucas coisas são tão humilhantes,
e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva
tem o direito de estar com raiva, mas isso
não lhe dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do
jeito que você quer que ame,
não significa que esse alguém não sabe amar,
contudo, o ama como pode,
pois existem pessoas que nos amam,
mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa
voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores...
E você aprende que realmente pode suportar...
que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de
pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor
e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos
conquistar, se não fosse o medo de tentar.
Willian Shakespeare
postado por: LUCIANA MACEDO 7:35 PM
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Quinta-feira, Março 27, 2008
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Maria, a louca
Oswaldo Montenegro
Morava na velha casa da Bambuí, no Grajaú.
Os moleques viviam tacando pedra e jogando bola.
"Se a bola cair aqui dentro, eu furo!!"
A pelada continuava, hesitante.
"Maria doida!!", gritava o coro mais valente, depois do jogo.
"Eu mato um! E de faca!!", gritava a velha.
Ninguém entrou na casa. Nunca.
Diziam que ela cultivava um jardim, lá no quintal.
Outros, como eu, diziam que ela matava crianças na horta
(principalmente as que jogavam futebol).
Um dia morreu a nossa Maria.
Lá atrás da casa estava o segredo.
Entramos.
Vinte olhos de moleques arregalados - um campo com trave, área, bola, tudo feito pela doida durante
os vinte anos que duraram sua velhice.
E que, ao findar, fizeram minha infância durar até hoje.
postado por: LUCIANA MACEDO 9:30 AM
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Quinta-feira, Janeiro 31, 2008
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"Manifesto Antigerundista"
Lembrem-se da seguinte regra gramatical:
Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando ( recortar ) , estar imprimindo ( imprimir ) e estar fazendo ( fazer ) diversas cópias, para estar deixando ( deixar) discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando ( falar ) sem estar espalhando ( espalhar ) essa praga terrível que parece estar se disseminando ( disseminar-se ) na comunicação moderna, o gerundismo .
Você pode também estar passando ( passar ) por fax, estar mandando ( mandar ) pelo correio ou estar enviando ( enviar ) pela Internet. O importante é estar garantindo ( garantir ) que a pessoa em questão vá estar recebendo ( receba ) esta mensagem, de modo que ela possa estar ( esteja ) lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta ( se dar conta) da maneira como tudo o que ela costuma estar falando ( falar ) deve estar soando ( soar ) nos ouvidos de quem precisa estar ouvindo ( ouvir ) . Sinta-se livre para estar fazendo ( fazer ) tantas cópias quantas você vá estar achando ( ache ) necessárias, de modo a estar atingindo ( atingir ) o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral.
Mais do que estar repreendendo ( repreender ) ou estar caçoando ( caçoar ) , o objetivo deste movimento é estar fazendo ( fazer) com que esteja caindo ( caia ) a ficha nas pessoas que costumam estar falando ( falar ) desse jeito sem estar percebendo ( perceber ) . Nós temos que estar nos unindo ( nos unir) para estar mostrando ( mostrar ) a nossos interlocutores que, sim!, pode estar existindo ( existir ) uma maneira de estar aprendendo ( aprender ) a estar parando ( parar ) de estar falando ( falar) desse jeito.
Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo ( seremos ) obrigados a estar emigrando ( emigrar ) para algum lugar onde não vão estar nos obrigando ( nos obriguem) a estar ouvindo ( ouvir ) frases assim o dia inteirinho.
Sinceramente: nossa paciência tem estado ( está ) a ponto de estar estourando ( estourar ).
Um "Eu vou estar transferindo a sua ligação" (eu vou transferir sua ligação) que eu vá estar ouvindo ( ouça ) pode chegar a estar provocando ( provocar ) alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando ( me responsabilizarei ) pelos meus atos. As pessoas precisam estar entendendo ( entender ) a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando ( entrar ) na linguagem do dia-a-dia."
postado por: LUCIANA MACEDO 3:41 PM
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Quinta-feira, Janeiro 03, 2008
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O MEDO DE SER
Vejo quilômetros de filmes e teipes, anos a fio, leio quilos de papel, despenco abismos de olhares, enfrento filas intermináveis de letras: autores, atores, diretores, sonoplastas, criadores, publicitários, o filmete, o produto, a peça, o disco, a monografia, o retrato. Vejo a moça que quer dizer o que pensa e não diz. O homem que quer entregar o sentimento mas segura. O pai querendo dizer que ama o filho e não consegue. O filho com vontade de viver a própria experiência e teme.
Em tudo por onde passa o olho do cronista está presente o medo de ser. Estranha mistura esta, a humana, que nos faz querendo sempre ser e vacilando a cada momento de realizar.
É a moça que quer apenas ser amada mas se defende realizando o discurso sociológico. É o rapaz que pretende ser político mas tem medo de perder a vida. é o menino que deseja falar com o outro, mas teme ser mal julgado. É a mãe que deseja reter o filho mas disfarça.
O medo de ser paralisa o gesto de afeto pelo temor do ridículo, o riso, escárnio, gozação, indiferença e até do elogio. O medo de ser impede a fraqueza diante de quem se depende, impossibilita a entrega completa porque pode ser mal interpretada. O medo de ser prolonga muita coisa que já acabou.
Cria defesas mirabolantes: ficar rico; ser original; metido e diferente; fazer-se inteligente; transformar-se em culto, no melhor da turma, ser o rei da festa, o engraçado, fazer peso ou se transformar no bambambã da esquina, bater o recorde, ser da seleção, “meu filho seja sempre o melhor”; parecer bom; dar uma de herói; cobrar atitudes sempre dos outros; criticar sem reparar as dificuldades de cada um.
O medo de ser cala raivas, sepulta ódios, finge que não liga; provoca concordância com os grupos mais agressivos ou convincentes, adere a modas, segura as pontas; agüenta a barra; sacode a poeira, adula; passa a mão na cabeça; aparenta eficiência; faz ser eficiente; ensina a mandar; aprende a obedecer; faz repetir os gestos silencia a franqueza; teme a critica; impede a ocupação do próprio espaço.
O medo de ser paralisa o gesto de amor; adia o telegrama de parabéns; não envia a carta de amor; finge que não odeia; esconde-se na simpatia; simpatiza com os esconderijos; faz concordância irrefletidas; aceita influencias; finge-se de forte; depende do que aparenta. Ele estraga a alegria que não era sincera; atrapalha a viagem que era só fuga, procura aquela tristeza e faz ficar mais triste, vai aquele lugar mas dá formigamento nas extremidades, aceita elogio sem com ele concordar; sofre em demasia por injustiça, mesmo a sabendo injusta. Rejeita o louvor, mesmo o sabendo sincero.
O medo de ser não comunga na hora em que dá vontade e sim por causa dos outros; não ensina a lição do próprio amor porque vive na dependência do amor alheio, não se olha no espelho com pavor de encontrar o rosto de quem inveja.
O medo de ser é a fuga do mais genuíno e próprio de cada pessoa por causa dos padrões e modelos e comportamentos inculcados, introjetados, inocultos, disfarçados em amor.
Forma a legião das representações que envolvem a maioria de nossos atos.
O medo de ser gera outros eus. Gera o tu, o ele, o nós, o vós, o eles no eu; e não o eu no tu, no ele, no nós, no vós, neles, como expressão mais autentica e verdadeira do que somos e não do que fingimos ser.
Medo de ser, merda de ser.
Artur da Távola
“Alguém que já não foi – Crônicas”
postado por: LUCIANA MACEDO 8:16 PM
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Quarta-feira, Janeiro 02, 2008
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Ano Novo
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
O rei chegou
E já mandou tocar os sinos
Na cidade inteira
É pra cantar os hinos
Hastear bandeiras
E eu que sou menino
Muito obediente
Estava indiferente
Logo me comovo
Pra ficar contente
Porque é Ano Novo
Há muito tempo
Que essa minha gente
Vai vivendo a muque
É o mesmo batente
É o mesmo batuque
Já ficou descrente
É sempre o mesmo truque
E que já viu de pé
O mesmo velho ovo
Hoje fica contente
Porque é Ano Novo
A minha nega me pediu um vestido
Novo e colorido
Pra comemorar
Eu disse:
Finja que não está descalça
Dance alguma valsa
Quero ser seu par
E ao meu amigo que não vê mais graça
Todo ano que passa
Só lhe faz chorar
Eu disse:
Homem, tenha seu orgulho
Não faça barulho
O rei não vai gostar
E quem for cego veja de repente
Todo o azul da vida
Quem estiver doente
Saia na corrida
Quem tiver presente
Traga o mais vistoso
Quem tiver juízo
Fique bem ditoso
Quem tiver sorriso
Fique lá na frente
Pois vendo valente
E tão leal seu povo
O rei fica contente
Porque é Ano Novo
Um lindo 2008 a todos!!!!!!!
postado por: LUCIANA MACEDO 11:03 AM
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Domingo, Novembro 11, 2007
Sábado, Outubro 13, 2007
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Shrek existiu. E falava 14 idiomas.
O personagem de desenho animado que é sucesso em todo mundo foi criado a partir de uma máscara mortuária do francês Maurice Tillet.
Poeta e ator, Tillet nasceu em 1903. Muito inteligente, falava 14 idiomas Na adolescência, contraiu uma doença rara, chamada acromegalia , que causa a desfiguração de partes do corpo.
A transformação para um quase “monstro” não o abateu. Ele emigrou para os Estados Unidos e converteu-se num profissional da Luta livre, com o nome de “Assustador ogre do ringue”.
Lutou até quando pôde. Morreu em 1954, aos 51 anos, de um ataque cardíaco. Pouco antes, seu parceiro de partidas de xadrez, Bobby Managain, pediu para fazer um lifecast ( máscara mortuária) dele. Tillet concordou e Bobby fez cópias em gesso da cabeça do amigo.
Uma delas foi para o Museu iternacional da Luta Livre, em Iowa. A outra foi parar no Hall of Fame do York Barbell Building para mostrar os primórdios das formas da luta livre moderna e do halterofilismo. Foi esta réplica que serviu de modelo para a construção de Shrek.
http://www.gangue.org/maurice-tillet-o-homem-que-inspirou-shrek/
http://en.wikipedia.org/wiki/Maurice_Tillet
http://port.pravda.ru/sociedade/curiosas/11-10-2007/19679-shrek-0
postado por: LUCIANA MACEDO 6:29 PM
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Terça-feira, Setembro 25, 2007
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O vendedor de palavras - Fábio Reynol
Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta Terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical".
Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs. Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia:
- "Histriônico - apenas R$ 0,50!".
Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta
curiosos parasse e perguntasse.
- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta
centavos como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de
todos.
- O senhor sabe o significado de histriônico?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a
alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta
centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?
- O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com
a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado,
portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado.
Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira.
Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade.
Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
- Jactância.
- Pegar um livro velho...
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando, não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga...
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também evasivas.
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei! Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinqüenta centavos.
- São três reais e cinqüenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar
para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se
mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?
postado por: LUCIANA MACEDO 7:09 PM
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Sábado, Setembro 22, 2007
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Ode ao gato
(Artur da Távola)
Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso.
Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis. Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo? Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso."Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo mor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser. O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer.
Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali". Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas. O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!
Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.
Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências. O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem."
postado por: LUCIANA MACEDO 2:21 PM
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Sexta-feira, Setembro 14, 2007
Sexta-feira, Agosto 17, 2007
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Sabe o que eu mais queria na vida?
Queria, durante uma semana, só ler notícias boas...
Nem precisava que elas fossem tão boas; bastava que não houvesse nenhuma ruim.
As manchetes dos jornais não precisariam falar de coisas muito importantes.
Poderiam contar que neste ano estão crescendo flores, misteriosamente, em todos os canteiros de todos os prédios, e que até as vielas das favelas estão floridas e coloridas.
Além disso, por um capricho da natureza, elas estariam mais cheirosas do que nunca, e que esse fenômeno está fazendo com que as pessoas estejam mais gentis, mais delicadas, mais felizes. E os traficantes, no lugar de traficar, levariam grandes buquês para suas namoradas, que retribuiriam com beijos e palavras amorosas.
Os jornais diriam que nossos deputados e senadores se renderam à beleza que tomou conta do país, e durante esta semana esqueceriam de seus interesses particulares e só votariam projetos a favor do bem-estar geral.
E isso lhes faria tanto bem que eles sairiam do congresso a pé, falando com todas as pessoas com quem cruzassem na rua, sorrindo, simpáticos, como faziam quando estavam em campanha.
Eles também colheriam e levariam flores para suas mulheres, com um carinho que elas já haviam esquecido que existia.
As rádios só tocariam canções de amor, e as televisões mostrariam praias, montanhas, lugares lindos onde se poderia passar uns dias só sendo feliz, mais nada.
Algumas pessoas não seriam citadas no noticiário desta semana, e seria proibido falar de qualquer partido político, já que eles só nos trazem desgosto. Responda rápido: algum deles lhe trouxe alguma alegria nos últimos tempos?
Nessa semana, só uma coisa seria proibida: tirar fotos com o celular.
Para que as pessoas soubessem que os momentos de verdadeira felicidade são guardados dentro do peito, deles não se esquece, e para isso não precisamos de nenhuma maquininha.
Barraquinhas ofereceriam água de coco gelada e pão de queijo fumegando, de graça, como se estivéssemos numa quermesse...
Ninguém teria a menor preocupação com coisa alguma, ninguém falaria de doenças nem de tragédias, até porque ninguém estaria doente e nenhuma tragédia teria acontecido.
Teríamos a ilusão, durante uma semana, de que a vida seria assim, para sempre; e à noite, quando aparecessem os primeiros vaga-lumes, a certeza de que todos nossos sonhos iriam se realizar.
Aliás, uma semana seria demais; bastaria que fosse assim por um dia.
Texto de Danuza Leão
postado por: LUCIANA MACEDO 5:43 PM
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Quarta-feira, Julho 18, 2007
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"Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada milágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada milágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada milágrimas sai um milagre..."
postado por: LUCIANA MACEDO 7:35 PM
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Terça-feira, Junho 12, 2007
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Como surgiu o Dia dos Namorados
O Dia dos Namorados, que no Brasil é comemorado em 12 de junho, costuma ser conhecido mundo afora como o Dia de Valentine. É a data dos apaixonados. Namorados, noivos, casados, todos comemoram a paixão com um presente, acompanhado de palavras românticas. Em vários países do mundo, a frase que encerra o discurso amoroso no cartão é ¿de seu Valentine¿. Essa assinatura esconde a origem da comemoração e uma triste, mas bela, história de amor. No segundo século da era cristã, o imperador romano Claudius resolveu impedir o casamento de seus soldados. Insano, Claudius acreditava que soldados solteiros envolviam-se muito mais nas batalhas do que os casados, que deixavam para trás suas amadas. Foi então que o bispo católico Valentine tomou a decisão corajosa de enfrentar a determinação imperial e, secretamente, celebrar o casamento de jovens apaixonados. Impressionado com a valentia e popularidade de Valentine, Claudius convocou o bispo ao seu palácio. Valentine seria perdoado da punição por contrariar a norma se renunciasse ao cristianismo. O bispo selou sua sentença de morte ao recusar a renúncia e, imprudentemente, tentar converter o imperador à sua religião. Aguardando a execução, o próprio Valentine se apaixonou por uma jovem cega, filha do carcereiro. Diz a lenda que a paixão foi tão pura e intensa que, nos poucos dias em que conviveram, os enamorados experimentaram o milagre do amor: a jovem recuperou a visão. Para selar as juras que trocava por escrito, o bispo assinava o cartão que deu origem aos que conhecemos hoje, sempre da mesma forma: ¿do seu Valentine¿. O costume sobreviveu ao bispo, que acabou sendo apedrejado e decapitado. O primeiro cartão de amor que se tem notícia depois da triste história de Valentine foi enviado por Charles, duque de Orleans, para sua esposa, no período em que ele esteve preso na Torre de Londres, mais de cinco séculos atrás. A partir daí, o hábito de presentear a amada com palavras de amor se popularizou e, aos poucos, ganhou o mundo. Hoje, o Dia dos Namorados é mais do que uma homenagem à persistência do bispo: ele se transformou na celebração do amor.
(Informe Publicitário ¿ Revista Veja)
postado por: LUCIANA MACEDO 6:14 PM
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Terça-feira, Maio 22, 2007
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"Olhei para os animais abandonados no abrigo... os renegados da sociedade humana.
Vi em seus olhos amor e esperança, medo e horror, tristeza e a certeza de terem sido traídos.
Eu me revoltei e rezei:
- Deus, isso é horrível! Por que o Senhor não faz nada a respeito?
E Deus respondeu:
- Eu fiz. Eu criei você."
Todos os dias centenas de cães e gatos abandonados são recolhidos das ruas para evitar a transmissão de doenças.
Nos Centros de Zoonoses de todo o Brasil, os bichos apreendidos ficam alguns dias à espera de seus donos ou de alguém que queira adotá-los. Depois disso são sacrificados.
Ao adotar um animal abandonado, você ganha um amigo e salva uma vida.
A adoção de um animal não resolve o problema do abandono e irresponsabilidade de muitos donos. Mas é um começo e uma nova chance de vida a um dos seres mais fiéis e amigos que existem.
http://adoteumgatinho.uol.com.br/
postado por: LUCIANA MACEDO 9:33 PM
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